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Pouco tempo após o fim do processo eleitoral inicia-se a disputa pela presidência da Câmara dos Deputados. Esse posto do Legislativo torna-se fundamental para que o Executivo implemente sua agenda política, uma vez que ele está no comando da pauta de votação da Casa, mesmo que em consonância com os líderes partidários, a decisão é dele.

Esse cargo também se torna de grande relevância e desperta os holofotes por estar na linha de sucessão presidencial, caso o presidente da República e o vice se ausentem do país, quem assume interinamente é o presidente da Câmara.

Embora o Congresso ainda esteja de recesso, já acontece grande movimentação nos bastidores e mídias sociais com o anúncio de nomes e o anúncio de apoiamento. Nesse momento torna-se fundamental buscar e conseguir o apoio de partidos e estruturar blocos para lançar nomes que tenham chance de vencer essa acirrada disputa. A votação acontece dia 01º de fevereiro.

Até o momento estão na disputa Rodrigo Maia (DEM-RJ); Arthur Lira (PP-AL); Ricardo Barros (PP-PR); Alceu Moreira (MDB-RS); Fábio Ramalho (PMDB-MG); Kim Kataguiri (DEM-SP); Marcelo Freixo (PSOL-RJ); Capitão Augusto (PR-SP) e Marcel van Hattem (Novo). Essa eleição apresenta o maior número de candidatos na disputa pelo cargo e com isso maior diversidade e até mesmo mais de um nome por partido, o que demonstra falta de definição.

Conhecendo mais os candidatos:

Alceu Moreira (MDB-RS). Tem 65 anos, é comerciante, foi vereador, vice-prefeito, prefeito, e secretário estadual no Rio Grande do Sul. Pertence a bancada ruralista e teve forte atuação como vice-presidente da regional sul da Frente Parlamentar de Agricultura (FPA). Tem posicionamento contrário a demarcação de terras indígenas e é favorável a mudanças no Código florestal.

Em entrevistas o deputado defende como bandeiras redesenhar o parlamento, convocando as lideranças e assessorias técnicas e assim entregar para a sociedade o que se espera e retirar dos parlamentares os pontos comerciais. Visa a acabar com o toma lá, dá cá, com energia e estratégia, rearticulando os cargos.

Arthur Lira (PP-AL). Tem 50 anos, foi vereador, deputado estadual e atualmente é deputado federal, tendo sido líder do PP. Foi favorável a reforma trabalhista e contrário ao pedido de abertura de investigação contra o presidente Temer. Já foi afastado do cargo público em virtude da Operação Taturana, que investigava desvio de dinheiro público da Assembleia Legislativa de seu estado. Foi condenado e preso. Teve seu nome citado na operação Lava-Jato.

Capitão Augusto (PR-SP). Tem 53 anos, foi policial militar e continua como deputado federal. Votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff e a favor da reforma trabalhista. Embora seu partido seja apoiador da candidatura do deputado Rodrigo Maia, o Capitão manterá a candidatura.

Fábio Ramalho (MDB-MG). Tem 58 anos, atuou como prefeito, depois deputado federal e atualmente é vice-presidente da Câmara dos Deputados. Votou a favor do processo de impeachment, favorável à reforma trabalhista e contra o processo de abertura de investigação do presidente Michel Temer.

Kim Kataguiri (DEM-SP). Tem 22 anos, é líder do Movimento Brasil Livre e ganhou destaque nas redes sociais se posicionando contrário ao governo da presidente Dilma Rousseff e a partir disso se lançou como deputado federal e ganhou. Manifestou interesse em disputar a presidência da Câmara, mesmo que seu partido tenha defendido o nome de Rodrigo Maia. Sua idade havia sido colocada como barreira, já que o presidente da Câmara está na linha sucessória presidencial e para assumir interinamente é preciso ter idade mínima de 35 anos. Contudo o deputado manifestou que o Supremo Tribunal Federal tem entendimento que ele pode assumir, visto que não há requisitos para assumir a presidência da Câmara.

Marcel van Hattem (NOVO). Tem 33 anos, é cientista político, jornalista e atuou como deputado estadual do Rio Grande do Sul, quando era do Partido Progressista. Já trabalhou na Câmara dos Deputados como assessor. É co-fundador de uma consultoria no Brasil e é diretor da filial internacional. Foi apoiador do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Marcelo Freixo (PSOL-RJ). Tem 52 anos, é professor, foi colunista da Folha de São Paulo. Ficou conhecido por ser forte militante dos Direitos Humanos. Atuou como deputado estadual e foi candidato a prefeitura do Rio de Janeiro, não obtendo êxito. Foi coordenador da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro

Ricardo Barros (PP-PR). Tem 60 anos, é engenheiro civil, empresário. Foi ministro de Saúde no governo Temer e prefeito de Maringá. Em 2016 foi relator do orçamento e com isso ganhou maior visibilidade. É considerado um bom articulador. Votou favorável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Rodrigo Maia (DEM-RJ) – atual presidente da Câmara dos Deputados, tem 48 anos, é filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro Cesar Maia. Atuou como secretário municipal na prefeitura do Rio de Janeiro e posteriormente como deputado federal, foi eleito presidente da Câmara dos Deputados quando o deputado Eduardo Cunha renunciou e após foi reeleito. Sua posição política acerca da economia é liberal. Defendeu a reforma trabalhista e defende a reforma da previdência. Apresentou facilidade de relacionamento com o Senado, Executivo e Judiciário e mesmo com a oposição (partidos da esquerda). Até o momento está liderando a preferência para o cargo e tem o apoio do PSL partido do presidente da República Jair Bolsonaro. Até o momento Maia tem o apoio de 12 partidos sendo eles: PSL; PSD; PR; PRB; PSDB; DEM; SD; PODE; PPS; PROS; PSC e AVANTE.

Esses nomes não são oficiais, visto que nos bastidores ainda ocorrem negociações e o apoiamento de um partido não compreende o apoio de todos os parlamentares pertencentes a ele e com isso cada voto poderá fazer toda a diferença, uma vez que é preciso ter no mínimo 257 votos, ou seja, a maioria absoluta.

Existe ainda a construção de um bloco de oposição que até o momento não definiu apoio a nenhum candidato anunciado. A esse bloco pertenceria o PT, PSB, PSOL e ainda em conversa o PDT, PCdoB e Rede. O intuito é fortalecer a oposição ao governo do presidente Jair Bolsonaro, angariar espaços na Mesa Diretora e ter possibilidade de escolhas no comando das comissões permanentes.

Quando finda a eleição, além de se eleger um novo presidente, ocorre também a eleição de toda a Mesa Diretora da Casa, que é tanto responsável pela direção dos trabalhos legislativos quanto pelos serviços administrativos.

 

Relações Institucionais da CNTC

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