Setor de alimentação fora de casa tem crescimento baixo, diz entidade

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14/03/2018

 

 

O faturamento das redes de alimentação fora de casa cresceu 2,9% no mês de fevereiro em comparação com janeiro, segundo o IFB (Instituto Foodservice Brasil), que reúne as empresas de grande porte.

A variação foi considerada tímida pelo setor, afirma Marcelo Marinis, presidente da entidade e da operação brasileira da Martin Brower, de logística alimentar.
“Um fator primordial para o desempenho do foodservice no Brasil é o desemprego.”

Enquanto ele for elevado, o potencial de consumo é reprimido, diz o executivo.

“Os números mostram que a recuperação econômica não é um milagre. Pelo contrário, ela tem sido bastante lenta e tem tido oscilações.”
Houve uma leve melhora no mercado de trabalho impulsionada pelos empregos informais no último trimestre de 2017, segundo o IBGE.

“Vai demorar para vermos empresas contratando, o que afeta o setor”, diz Marinis.

O movimento nos estabelecimentos teve alta de 2% no ano passado, também visto como fraco pela entidade.

Ao se considerar apenas o tráfego feminino, o indicador chega a 3%.

Na rede de fast food McDonald’s, cerca de 60% do público consumidor é composto por mulheres.

“As clientes são especialmente importantes porque geralmente as mães são responsáveis pelas decisões de alimentação de toda a família”, diz David Grinberg, diretor da Arcos Dourados, franqueadora da companhia no Brasil.

Reajuste suave

A maior parte das mudanças necessárias para a adequação ao reajuste de preços de medicamentos já foi feita pelas redes de farmácias, segundo varejistas.

A previsão é que os valores dos remédios subam, em média, 2,5%, similar ao nível de 2017 e abaixo das projeções de inflação para 2018.
“Se o reajuste vier nesse patamar, o impacto imediato será priorizar ações como a renegociação de contratos nas despesas que tiverem alta acima do IPCA [índice de preços]”, afirma Rodrigo Pizzinatto, diretor da Extrafarma.

A variação é considerada baixa e permitirá que os preços sejam repassados sem dificuldades, segundo Edison Tamascia, presidente da Febrafar (das redes menores).

“O aumento está em linha com o previsto, diferentemente de 2017, quando os valores estavam defasados em relação à inflação”, diz Mário Queirós, diretor-presidente da Pague Menos.

Boletos para quitar

A proporção das famílias paulistanas que possuem dívidas chegou a 53,6% em fevereiro, alta de 5,1 pontos percentuais na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo a FecomercioSP (federação do setor).

A alta ocorre após três meses de oscilação negativa do índice. Também houve crescimento na inadimplência, de 1,8 ponto percentual.
A inflação baixa e a melhora, ainda que lenta, do emprego influenciam as decisões do consumidor de adquirir dívidas, segundo a entidade.

“O consumo aumentou mais entre os que têm renda superior a dez salários mínimos. Esse grupo também tem as contas mais controladas que os de renda mais baixa”, diz Guilherme Dietze, assessor econômico da FecomercioSP.

O crescimento nos índices não é preocupante, afirma ele. “A inadimplência está dentro da faixa dos últimos meses, que variou de 17% a 20%, e é menor que a média de 2017.”

Medalha de prata

O Brasil é o segundo país mais importante para o crescimento das empresas que recebem aportes de latino-americanos, segundo executivos ouvidos pela PwC.

“A melhoria da economia fez com que o país voltasse ao radar dos investidores no curto prazo”, diz Rogério Gollo, sócio da consultoria.

O não agravamento da crise política aliado à queda das taxas de juros e da inflação nos últimos meses levaram a uma percepção econômica positiva, afirma Gollo.

Os Estados Unidos, mencionados por 75% dos investidores, ficaram em primeiro lugar no ranking.

Empatado com a China, o Brasil foi citado por 38% dos entrevistados e superou economias como o México e a Argentina (ambas com 25%).

Os diferenciais brasileiros são o grande mercado interno e atividades econômicas mais diversificadas, diz Gollo.

Fonte: Agência Brasil