Competitividade do calçado brasileiro está na criatividade


Brasil deixa de fabricar sapatos "baratos" e promove design, inovação e qualidade como principais características

O segmento de couro e calçados brasileiro passou por grandes transformações nos últimos anos e o vetor da nova fase chama-se criatividade, conforme afirmam os especialistas.

Este é o momento de se olhar para o futuro. Em meados dos anos 90, a indústria de calçados vivia uma situação de crise. A grande virada se deu a partir da criatividade, aquilo que é tipicamente brasileiro; e o custo é baixo, afirmou o diretor de Administração e Finanças do Sebrae, Carlos Alberto dos Santos, na abertura do InspiraMais - Salão de Design e Inovação de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos, na noite de quarta-feira (3). O evento, que acontece em São Paulo até sexta-feira (5), é organizado pela Associação Brasileira de Componentes do Couro, Calçados e Artefato (Assintecal by Brasil).

Para o presidente da Assintecal, Luis Claudio Amaral, o InspiraMais, realizado desde 2001, contribuiu para que a cadeia produtiva do setor amadurecesse para alcançar a velocidade de inovação exigida pelo mercado mundial.

A indústria e os estilistas, segundo a coordenadora da carteira do segmento no Sebrae, Ana Patrícia Barbosa, deixaram de fotografar as vitrines européias e passaram a ditar moda no mundo. Foi um movimento de todo o setor. O calçado brasileiro tem identidade própria, misturando materiais, cores e artesanato, disse.

Para o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Clayton Campanhola, o design acabou puxando outros elos da cadeia, como o segmento de componentes. O design incorporou novas tecnologias e está permitindo que a indústria brasileira se insira com mais robustez no mercado internacional, afirmou.

Para Carlos Alberto dos Santos, a competitividade do calçado brasileiro não está mais no preço e sim no design. Segundo ele, o setor encontrou o caminho, mas ainda falta muito para que toda a cadeia possa usufruir das mudanças.O Sistema Sebrae apóia 1645 empresas do segmento, em nove estados brasileiros. São 24 projetos entre 2009 e 2011, disponibilizando recursos de R$ 28 milhões. Há toda uma tarefa de melhoria da gestão do empreendimentos. Nós já conseguimos um avanço, mas é preciso mais, afirmou.

Esse mais, de acordo com o diretor, passa por uma maior formalização de toda a cadeia. Muita gente ainda não conseguiu participar desta transformação e, por isso, está à margem do processo de desenvolvimento. Eles precisam dar este passo na profissionalização da produção para responder à demanda do mercado, disse Carlos Alberto. Fonte: Jusbrasil
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05/02/2010   |   Versão para impressão

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