Programa capacita jovens em situação de vulnerabilidade

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16/12/2013

Vira Vida, do Sesi, é realizado em todo o Brasil. Desde 2010, mais de 300 jovens foram atendidos no Paraná Quando José, nome fictício, chegou ao ViraVida, há três anos, pouco sabia sobre o adulto que gostaria de ser um dia. Na época com 16 anos e inserido em uma rotina de prostituição, ele, que é morador da periferia de Londrina, lembra que levava uma vida marcada pela falta de perspectiva. Esta realidade só ganhou novos contornos depois que conheceu o programa do Serviço Social da Indústria (Sesi), realizado em todo o Brasil.

Voltada a adolescentes que sofreram com privações de direitos, com exploração sexual e com dependência química, a iniciativa oferece ferramentas para que eles entrem para o mercado de trabalho. Desde 2010, mais de 300 jovens com histórias semelhantes à de José foram atendidos no Paraná. Eles são encaminhados ao Sesi através de instituições sociais, de conselhos tutelares ou do Ministério Público (MP). Após terem o perfil analisado, são convidados a permanecer no ViraVida por um ano.

Neste período, os adolescentes contam com aulas de disciplinas como Cidadania e Meio Ambiente e formação profissional – eles podem cursar capacitações do Sesi e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio (Senac). Trabalhamos para reforçar a escolarização e resgatamos a autoestima. Quando o jovem chega, não consegue sonhar com o que quer para o amanhã. Ele está sem valores e, por isso, trabalhamos isso também , explica a gerente de Operações do Sesi no estado, Maria Aparecida Lopes.

Vocação

Ao todo, são oito horas diárias de aulas. Para participar, os jovens precisam estar matriculados no ensino regular. Eles recebem uma bolsa de R$ 500. Parte do dinheiro, 20%, é depositada em uma poupança e só pode ser resgatada após a formatura.

Quando concluem o programa, eles têm a oportunidade de, já capacitados, disputar vagas no mercado de trabalho. Na maioria dos casos, saem vitoriosos do processo seletivo. No início, foi difícil porque são pessoas que não estão preparadas para as pressões que o mundo do trabalho impõe. Então, realizamos muitas oficinas para despertar a vocação deles , pontua Maria Aparecida.

Foi o que aconteceu com José, que se descobriu um cabeleireiro de mão cheia. Trabalhando em um salão de beleza de grande porte de Londrina, o jovem planeja, a longo prazo, abrir o próprio estabelecimento. Ele avalia que o tempo em que permaneceu no ViraVida foi essencial para que pensasse no futuro. O programa foi importante para que descobrir o que queria fazer. Hoje, quero vencer , afirma.

Alunos mudam de comportamento

Durante o atendimento no ViraVida, muitos jovens mudam de comportamento. Foi assim com Mariane, nome fictício, também moradora de Londrina. Ela, hoje com 18 anos, conta que passou a se relacionar melhor com a família e já orienta o irmão mais novo a buscar o crescimento pessoal. Falei para ele fazer um curso e não se envolver com pessoas erradas.

Mariane relata que, antes de ingressar no ViraVida, não vislumbrava projetos de vida. Sem a presença do pai no dia a dia, foi para a rua aos 14 anos e não via limites para conseguir tudo o que queria. Chegou a ser apreendida. Hoje, grávida de oito meses, sustenta que aprendeu a gostar de estudar e que espera conseguir um bom trabalho em breve.

O mesmo ocorreu com Carlos, 19 anos, de Curitiba. Vítima de agressão e abuso sexual em casa, ele recorda que, antes do programa, não tinha as metas que tem hoje servir ao Exército e cursar a faculdade de Biologia. Durante o ViraVida, ele já fez capacitações de Mecânica, Auxiliar de Produção e Customização. A próxima será de Manipulação de Alimentos.

Temos uma preparação para o mercado de trabalho muito boa. Além disso, aprendi a superar o que passei em casa, consegui melhorar minha convivência com meu pai. Tudo isso serviu para me dar mais força ainda , pontua Carlos.

Fonte: Jornal de Londrina



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