CNTC NA MÍDIA - UOL | Lourival Figueiredo, secretário-geral da CNTC, fala sobre os demitidos da Casas Bahia

Funcionários demitidos da Casas Bahia em agosto, próximo ao pedido de recuperação judicial da empresa, relatam falta de pagamento de verbas rescisórias, bloqueio de benefícios e dificuldades financeiras, segundo levantamento divulgado pela CNTC (Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio).

O que aconteceu

a CNTC reuniu relatos de 38 trabalhadores de oito estados que enfrentaram pendências após as demissões. Até hoje, os atrasos e a ausência de assistência relacionada sem solução, relatos de trabalhadores à confederação.

As principais atividades envolvem verbas rescisórias não pagas, problemas com o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e atrasos no seguro-desemprego. O levantamento da CNTC aponta que, do total de entrevistados, 26 declaram ter pendências nas rescisões, 12 passam por dificuldades financeiras, 12 têm problemas com o FGTS ou uma multa de 40%, e 10 não fornecem acesso ao seguro-desemprego.

O levantamento da entidade sindical traz relatos de trabalhadores que apontam dificuldades financeiras para garantir necessidades básicas. "Estamos com dívidas atrasadas e até sem comer" e "Tenho casa para pagar, contas (...) estou desesperado" são alguns dos relatos divulgados pela entidade.

Procurada pelo UOL, a Casas Bahia disse que as rescisões seguem as regras de recuperação judicial, que priorizam créditos trabalhistas, e que os direitos dos trabalhadores continuam assegurados. Em nota, a empresa afirmou que os prazos de pagamento serão definidos pela Justiça, e que as informações para saque do FGTS e acesso ao seguro-desemprego já foram disponibilizadas conforme a lei.

“O Grupo Casas Bahia esclarece que, a partir do pedido de recuperação judicial, os valores relacionados às interrupções passam a seguir as regras e os procedimentos previstos nesse processo, que estabelece tratamento específico e prioritário para os créditos de natureza trabalhista. foram disponibilizados aos profissionais, nos termos da legislação. O Grupo Casas Bahia confirma a importância e a sensibilidade do momento e reforça seu compromisso em condução o tema com transparência, responsabilidade e a maior agilidade possível."

Demissões em massa

A Justiça revogou as demissões coletivas feitas pela empresa. No dia 2 de setembro, a Justiça do Trabalho negou o recurso do grupo para suspender uma liminar obtida pela CNTC, que suspendeu o desligamento de 1.900 trabalhadores. Com isso, os vínculos de trabalho e benefícios assistenciais deverão ser restabelecidos provisoriamente, enquanto o Grupo Casas Bahia aguarda o julgamento de outro recurso.

Para a CNTC, a demora judicial agrava a situação dos ex-funcionários . "A discussão deixou de ser apenas jurídica. O tempo da empresa e da Justiça não é o mesmo de quem tem aluguel, alimentação e filhos para sustentar", afirmou Lourival Figueiredo Melo, diretor da entidade.

A Confederação defende a negociação e orienta os trabalhadores a buscarem sindicatos locais. A entidade está aberta ao diálogo com a empresa, mas exige respostas concretas para amparar as famílias afetadas pelas demissões.

Recuperação judicial

Dispensas ocorreram em meio à renegociação de uma dívida bilionária de varejistas. O grupo protocolou pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo para reorganizar R$ 17,3 bilhões em débitos, fechar após 298 lojas em sua operação de reestruturação.

Plano de recuperação judicial inclui a prorrogação de dívidas trabalhistas. Isso pode atrasar e reduzir os valores de rescisão de ex-funcionários.

A Justiça destacou que a crise econômica não anula o dever de proteger os trabalhadores. A fundamentação judicial aponta que a recuperação da empresa precisa caminhar em harmonia com a preservação dos postos de trabalho e a sustentabilidade social.

Entendimento judicial segue diretriz do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre demissões em massa. A tese do tribunal supremo estabelece que a negociação coletiva prévia é um requisito indispensável para dispensas coletivas, embora não exija acordo formal prévio.

"Queremos que a Casas Bahia supere esse momento, preserve sua atividade econômica e continue gerando combustíveis. Mas a recuperação da empresa precisa caminhar junto com a proteção de quem ajudou a construir-la." - Lourival Figueiredo Melo, diretor secretário-geral da CNTC.

Por Gustavo Ávila - UOL
Foto: Felipe Iruatã/Folhapress