Defender direitos trabalhistas não significa trabalhar contra uma empresa. Significa cumprir o papel de uma entidade sindical e estar ao lado de quem precisa de representação
Diante das manifestações de preocupação em relação à situação das Casas Bahia e à possibilidade de fechamento de unidades, a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC) considera necessário esclarecer um ponto fundamental: a ação movida pela entidade não teve e não tem como objetivo prejudicar a empresa ou provocar o fechamento de suas lojas.
A atuação da CNTC tem um propósito muito claro: defender os direitos dos trabalhadores.
Os empregados e ex-empregados das Casas Bahia não podem ser responsabilizados pela situação econômica ou administrativa da companhia. São trabalhadores que cumpriram suas funções, contribuíram para o funcionamento da empresa e, agora, reivindicam o respeito aos seus direitos.
A CNTC tem recebido relatos de trabalhadores que enfrentam dificuldades relacionadas ao recebimento de verbas rescisórias, FGTS, seguro-desemprego, benefícios e outras questões decorrentes dos desligamentos. Por trás de cada relato existem trabalhadores e famílias que dependem desses recursos para manter suas necessidades básicas e reorganizar suas vidas.
Da mesma forma, aqueles que permanecem nas Casas Bahia continuam desempenhando suas funções e merecem segurança, respeito e transparência diante das incertezas sobre o futuro.
A CNTC reforça que não deseja o fechamento das Casas Bahia nem de qualquer outra empresa. Empresas são importantes para a geração de empregos, renda e desenvolvimento econômico. A preservação das atividades e dos postos de trabalho é de interesse de todos.
No entanto, a manutenção de uma empresa e a defesa dos empregos não podem ser colocadas em oposição ao cumprimento dos direitos de seus trabalhadores.
Cobrar o cumprimento da legislação e dos direitos trabalhistas não é agir contra uma empresa. É cumprir a missão de uma entidade sindical.
É justamente nos momentos de maior dificuldade que a representação sindical se torna ainda mais necessária. Cabe às entidades ouvir os trabalhadores, acolher suas demandas, defender seus direitos e buscar caminhos que contribuam para a preservação dos empregos sem transferir para quem trabalha o peso de problemas que não foram causados por eles.
A CNTC continuará ao lado dos trabalhadores que têm procurado a entidade: daqueles que foram desligados e aguardam a regularização de seus direitos e também dos que permanecem trabalhando e convivem com as incertezas deste momento.
A Confederação defende o diálogo e a busca de soluções responsáveis para a situação das Casas Bahia. Ao mesmo tempo, reafirma que não abrirá mão de sua responsabilidade de representar os trabalhadores e defender o cumprimento de seus direitos.
Essa é, e continuará sendo, a prioridade da CNTC.
Lourival Figueiredo Melo
Secretário-geral da CNTC (Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio)