O varejo farmacêutico de São Paulo está se transformando para atender consumidores de alta renda, com farmácias cada vez mais parecidas com lojas de beleza. Além de medicamentos, as novas unidades oferecem dermocosméticos de alto valor, produtos de k-beauty, fragrâncias importadas, itens profissionais para cabelo e produtos de wellness. O movimento ganhou força com a abertura da Raia Conceito, da RD Saúde, no Itaim Bibi, e de uma unidade da Discover, do Grupo DI, em Porto Feliz. A Raia Conceito tem 364 m² e dedica mais de 65% do espaço à beleza, reunindo cerca de 12 mil produtos e 50 novas marcas, incluindo Skin1004 e Beauty of Joseon. A loja também passou a oferecer fragrâncias e produtos profissionais para cabelo, além de consultoras especializadas e análise de pele. A estratégia busca diferenciar as lojas físicas diante do avanço das plataformas digitais no setor de higiene e cuidados pessoais.
ESPECIALISTAS
O modelo de farmácia de luxo já vinha sendo desenvolvido pela Drogaria Iguatemi, que hoje pertence ao Grupo DI. Nessas operações voltadas ao público de alta renda, cerca de 60% do faturamento vem de dermocosméticos, perfumaria e produtos sem prescrição, enquanto os medicamentos representam aproximadamente 40%. Em Porto Feliz, a Discover aposta nesse perfil de consumidor com uma unidade de 150 m² focada em dermocosméticos, suplementação e wellness, incluindo produtos de marcas de nicho que podem custar centenas de reais. A tendência também é observada no exterior, com redes como a britânica Boots e a americana CVS ampliando a importância da categoria de beleza. A Boots, por exemplo, possui lojas especializadas que reúnem centenas de marcas e oferecem serviços como análise de pele e diagnóstico do couro cabeludo. No Brasil, as grandes redes farmacêuticas parecem seguir caminho semelhante, transformando a farmácia de um local voltado principalmente à compra de medicamentos em um espaço de beleza, cuidados pessoais e bem-estar.
CURTA
QUEDA - A confiança dos empresários do comércio paulista atingiu, em junho, 93,8 pontos, o menor nível em cinco anos e a quinta queda consecutiva. O indicador permanece na zona de pessimismo, abaixo dos 100 pontos, refletindo um cenário marcado por juros elevados, inflação, endividamento e inadimplência das famílias.


