Nós do movimento sindical não temos responsabilidade só com as questões trabalhistas. Temos responsabilidades também com as questões sociais. E uma questão social que hoje nos aflige é a falta de comprometimento dos pais, mães ou responsáveis pela vacinação dos filhos ou deles próprios.
Vamos citar a questão da Qdenga, uma vacina que está disponível para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos pelo SUS, ou seja gratuitamente. Em Campinas, por exemplo, a primeira dose foi aplicada em apenas 37% do público alvo. A segunda dose piorou: apenas 22% voltou para completar o ciclo. Em Americana a cobertura atingiu 17% para a primeira dose e 13% para a segunda. A Qdenga é uma vacina tetravalente contra a dengue, com eficácia de 80% contra a doença.
A baixa procura atinge também as vacinas da paralisia infantil, sarampo e outras que os pais estão prevaricando na responsabilidade de levar seus filhos aos postinhos para (frise-se) gratuitamente tomar a dose necessária. Em 2025 a cobertura da vacina contra a poliomielite foi de 81% no Estado de São Paulo. Bem menos que os 95% esperados.
Esta desobediência ou irresponsabilidade está atingindo tanto as crianças como os adultos e idosos. Outro dia mesmo fui a um postinho tomar a vacina contra a Influenza (gripe) pela manhã e encontrei a técnica de enfermagem responsável pelo serviço sozinha em sua sala, pois era a terceira pessoa às 9 horas da manhã que adentrava o local. Há poucos anos atrás haviam filas e as pessoas torcendo para a vacina estar disponível.
Por questões ideológicas e políticas, sem nenhum conhecimento científico, sem nenhum respeito à ciência as pessoas estão deixando de ir se vacinar, correndo riscos pessoais, para seus familiares e para a comunidade em geral. É lamentável! E pelo jeito não tem “vacina” que cura irresponsabilidade!
Helena Ribeiro da Silva
Conselheira Fiscal Efetiva da CNTC (Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio) e Presidenta do SEAAC


