Os comerciantes brasileiros demonstraram maior otimismo em fevereiro, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) avançou 1,6% em relação a janeiro, marcando o quarto aumento consecutivo e atingindo 104,7 pontos, acima da zona de satisfação (100 pontos) e o maior nível desde julho de 2025. Em relação a fevereiro de 2025, o índice se manteve estável, mostrando consistência na confiança empresarial. O componente que avalia as condições atuais apresentou crescimento de 2,3% entre janeiro e fevereiro. Destaque para a percepção sobre a economia (+5,1%), as próprias empresas (+0,6%) e o setor de comércio (+2,1%). Isso indica que, apesar de desafios persistentes, os empresários percebem melhorias graduais na situação corrente de seus negócios e no ambiente econômico em geral.
EXPECTATIVAS
O componente de expectativas também cresceu, subindo 1,0%, com aumentos distribuídos entre economia (+1,1%), setor (+1,0%) e empresa (+1,1%). Já as intenções de investimento avançaram 1,8%, com destaque para contratação de funcionários (+3,3%), investimentos na empresa (+0,9%) e aumento de estoques (+0,9%). Esses dados sugerem que, mesmo com cautela, os empresários planejam expansão e ajustes estratégicos para os próximos meses. Apesar do otimismo, 70,6% dos varejistas ainda percebem piora no momento atual da economia, embora esse seja o menor percentual desde janeiro do ano passado e represente redução nos últimos quatro meses. Por outro lado, 62% acreditam em melhora econômica no curto prazo, um leve recuo em relação a janeiro, indicando confiança moderada e cautela quanto às perspectivas futuras. O relatório da CNC evidencia uma recuperação gradual, com empresários avaliando melhorias imediatas, mas permanecendo prudentes quanto ao cenário a médio prazo.
CURTA
POR CONTA - A edição especial da Pnad Contínua do IBGE mostra que, em 2024, apenas um em cada quatro trabalhadores por conta própria no Brasil tinha registro no CNPJ, o que corresponde a 6,6 milhões entre os 25,5 milhões de autônomos. Apesar do índice ainda baixo, houve evolução significativa nos últimos anos: em 2012, apenas 15% tinham registro; em 2019, o percentual era de 20,2%; e em 2024 alcançou 25,7%. Os trabalhadores por conta própria representaram 25,2% dos 101,3 milhões de trabalhadores do País naquele ano.
Luiz Carlos Motta
Presidente


