Reunião da Fecosul expõe negociações intensas e amplia mobilização na campanha salarial do comércio gaúcho

A reunião realizada em 1º de abril de 2026 entre a direção da FECOSUL e representantes de diversos sindicatos do comércio do Rio Grande do Sul evidenciou um cenário de negociações intensas, mobilização crescente e estratégias articuladas para a campanha salarial da categoria.

O encontro teve como ponto de partida uma avaliação positiva do lançamento da campanha em Lajeado. Mesmo sob chuva, o ato reuniu mais de 170 pessoas e contou com boa receptividade da categoria e da população, demonstrando o engajamento dos trabalhadores. Apesar da baixa cobertura da mídia local, o evento foi considerado um marco importante na mobilização da categoria.

No campo das negociações salariais, o principal desafio segue sendo a proposta inicial apresentada pelos empregadores, considerada insuficiente pelos sindicatos. A Fecomércio propôs reajuste de 3,5%, enquanto representantes sindicais defendem percentuais mais robustos. Alguns avanços já foram registrados, especialmente em negociações diretas com empresas, que têm resultado em índices superiores — como acordos que alcançam em torno de 6% de reajuste nos salários.

A estratégia adotada por diversos sindicatos tem sido intensificar negociações diretas com empregadores, consideradas mais eficazes do que as convenções coletivas conduzidas de forma centralizada. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação em garantir ganho real nos salários e assegurar que os pisos não fiquem inferiores ao piso regional, evitando perdas para os trabalhadores.

A mobilização contra a escala 6×1 também ganhou destaque. A FECOSUL, em parceria com a CTB e outras entidades, prepara uma campanha de grande alcance, em todo estado do RS. A iniciativa inclui produção de vídeos, outdoors, panfletos e ações de pressão junto a parlamentares. O objetivo é ampliar o debate público e pressionar pela aprovação do PL 67/2025 da Dep. Daiana Santos, que prevê a redução da jornada para 40h e a escala de 5×2.

Além disso, foram apresentados planos de mobilização mais amplos, como a organização de uma marcha em Brasília no dia 15, com expectativa de reunir até 15 mil pessoas, e atos do Dia do Trabalhador em cinco cidades gaúchas, como Porto Alegre, Caxias, Pelotas, Santa Maria e Passo Fundo. A proposta é fortalecer a luta sindical e dar visibilidade às pautas da categoria, incluindo a defesa da democracia e melhores condições de trabalho.

A reunião também abordou temas específicos, como a situação de trabalhadores em farmácias durante feriados, negociações em empresas específicas e a necessidade de acompanhamento jurídico em casos envolvendo o Ministério Público. Outro ponto de atenção foi a tentativa de criação de sindicatos em cooperativas agrícolas, considerada irregular por parte da direção, que já articula medidas legais para contestar os processos.

De forma geral, o encontro reforçou a necessidade de unidade entre os sindicatos, fortalecimento das mobilizações e construção de estratégias que garantam avanços concretos nas negociações. Em um cenário de resistência patronal, a articulação coletiva e a pressão social aparecem como elementos-chave para assegurar conquistas para os trabalhadores do comércio no estado.