A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC), que representa mais de 12 milhões de trabalhadoras e trabalhadores do comércio, bens e serviços em todo o país, manifesta seu apoio à construção de um novo modelo de organização do trabalho, com jornadas mais equilibradas e humanas, sem redução salarial, e ao enfrentamento da escala 6x1 como medidas necessárias para construir um Brasil mais saudável, produtivo e socialmente equilibrado.
O debate sobre jornada de trabalho não é ideológico. É uma discussão sobre saúde pública, produtividade e qualidade de vida.
O atual modelo de jornadas extensas, excesso de horas extras e disponibilidade permanente vem produzindo adoecimento físico e mental em larga escala. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostram que jornadas superiores a 55 horas semanais aumentam em 35% o risco de AVC e em 17% o risco de doenças cardíacas.
No Brasil, os afastamentos por burnout cresceram 493% entre 2021 e 2024. Somente no último ano, o país registrou 472 mil afastamentos por transtornos mentais relacionados ao trabalho, pressionando trabalhadores, empresas, Previdência e o sistema público de saúde.
Nos setores de comércio e serviços, onde predominam jornadas prolongadas, trabalho aos fins de semana e forte pressão por disponibilidade, a escala 6x1 aprofundou o desgaste físico e emocional dos trabalhadores. Seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso comprometem a saúde, reduzem o convívio familiar e aumentam a rotatividade da mão de obra.
O próprio setor produtivo já reconhece os impactos desse modelo. Empresas dos setores de comércio e serviços enfrentam dificuldades crescentes para contratar e manter trabalhadores, especialmente em funções operacionais marcadas por jornadas extensas e alta pressão. A elevada rotatividade da mão de obra gera custos constantes com contratação, treinamento e reposição de funcionários, além de afetar diretamente a produtividade e a qualidade do serviço prestado. O adoecimento físico e mental provocado pela sobrecarga de trabalho também amplia afastamentos e reduz o desempenho das equipes.
A CNTC também alerta para o uso abusivo do banco de horas, ampliado após a reforma trabalhista de 2017. Um instrumento que deveria ser excepcional passou a ser utilizado de forma permanente, permitindo jornadas excessivas sem a devida compensação financeira e fragilizando o direito ao descanso.
A experiência internacional demonstra que jornadas mais equilibradas podem coexistir com crescimento econômico, geração de empregos e aumento da produtividade. Países como Islândia, França, Portugal, Espanha e Chile avançaram em modelos de redução ou reorganização da jornada de trabalho com resultados positivos sobre produtividade, saúde mental, retenção de trabalhadores e qualidade de vida. Essas experiências mostram que trabalhador saudável produz mais, permanece mais tempo no emprego e contribui para um ambiente econômico mais sustentável e eficiente.
A CNTC defende:
- redução da jornada de trabalho, sem redução salarial;
- enfrentamento da escala 6x1;
- fortalecimento da negociação coletiva com participação ativa dos sindicatos;
- revisão dos mecanismos abusivos de banco de horas;
- proteção da saúde física e mental dos trabalhadores;
- valorização do descanso semanal e da convivência familiar;
- desenvolvimento econômico com produtividade sustentável e justiça
O Brasil precisa avançar para um modelo de trabalho compatível com os desafios do presente e do futuro. Crescimento econômico não pode depender da exaustão de quem move o país todos os dias.
Nenhuma mudança estrutural nas relações de trabalho pode ocorrer sem diálogo social, negociação coletiva e participação ativa das entidades sindicais.
Trabalhar é fundamental. Nenhum trabalhador deve adoecer para garantir o próprio sustento.
Brasília, 15 de maio de 2026
Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC)
Subscrevem o presente documento as seguintes federações:
- Federação Nacional do Técnicos de Segurança do Trabalho – FENATEST
- Federação Nacional dos Empregados Vendedores, Viajantes do Comércio e Propa-gandista de Produtos Farmacêuticos – FENAVENPRO
- Federação Nacional das Secretárias e Secretários – FENASSEC
- Federação Nacional dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Pe-tróleo – FETRAMICO
- Federação Nacional dos Empregados em Postos de Serviços Combustíveis Deriva-dos de Petróleo – FENEPOSPETRO
- Federação dos Empregados no Comércio de Bens e Serviços do Norte e do Nordes-te – FECONESTE
- Federação dos Empregados no Comércio dos Estados da Bahia – FECOMBASE
- Federação dos Trabalhadores no Comércio dos Estados de Goiás e Tocantins – FE-TRACOM
- Federação dos Empregados no Comércio de Bens e Serviços do Estado do Rio Gran-de do Sul – FECOSUL
- Federação dos Empregados no Comércio e Serviços dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo – FECERJ
- Federação dos Trabalhadores no Comércio e Serviços dos Estados do Pará e Amapá – FETRACOM
- Federação dos Empregados no Comércio do Estado do Maranhão – FECOMERCIÁ-RIOS
- Federação dos Empregados nos Grupos do Comércio do Estado do Mato Grosso – FECMT
- Federação dos Empregados no Comércio e Congêneres do Estado de Minas Gerais – FECOMERCIÁRIOS
- Federação dos Empregados no Comércio do Estado do Paraná – FECEP
- Federação dos Trabalhadores no Comércio e Serviços do Estado do Piauí – FETRA-COMPI
- Federação dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo – FEPETROL
- Federação dos Empregados Agentes Autônomos do Comércio do Estado de São Paulo – FEAAC
- Federação dos Empregados no Comércio do Estado de São Paulo – FECOMERCIÁ-RIOS
- Federação dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis Derivados de Petróleo dos Estados de São Paulo – FEPOSPETRO
- Federação dos Empregados no Comércio e Serviços do Estado de Sergipe – FECOMSE


