Análise: Confiança em baixa atinge mercado de trabalho

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22/08/2013

A letargia da economia demorou, mas acabou atingindo o mercado de trabalho, o que indica forte chance de aumento do desemprego.

A geração de 41,5 mil vagas com carteira assinada em julho ficou abaixo até das projeções mais pessimistas do mercado. O setor de serviços,que ainda apresentava resiliência, teve significativa desaceleração no mês passado.

A baixa criação de novos postos de trabalho é reflexo da falta de confiança na recuperação da economia.

Com projetos de investimentos parados, muitas contratações foram suspensas. Outro movimento que tem ocorrido é o de congelamento de vagas liberadas por funcionários que pediram para serem desligados.

O próximo passo, se não houver sinal de retomada, será o aumento no número de demissões. Isso tende a levar a taxa de desemprego, que permanece em patamar baixo, de 6%, a começar a subir mais rapidamente.

A fortaleza do mercado de trabalho diante da desaceleração que atinge a economia brasileira há três anos era explicada por três fatores.

1) Durante o período de crescimento econômico mais forte, o estoque de trabalhadores qualificados no Brasil se esgotou rapidamente.

Isso forçou o setor privado a recorrer à contratação de funcionários com pior formação educacional e produtividade mais baixa, inflando a quantidade de mão de obra empregada no país.

2) Mesmo com a desaceleração da atividade, empresários vinham evitando demitir funcionários com o temor de não conseguir recontratá-los com facilidade em um possível cenário de recuperação.

3) Os altos custos para contratar e demitir empregados no Brasil reforçavam a posição de cautela.

Agora, a ausência de sinais de recuperação e a expectativa de que a economia em 2014 poderá ter desempenho ainda pior parecem estar mudando a estratégia de empresários e comerciantes em relação à mão de obra.

O enfraquecimento do mercado de trabalho é tido por economistas ortodoxos como mal necessário para que a inflação caia.

O risco é que a depreciação do real anule parte do efeito da demanda menos aquecida sobre a inflação, já que o dólar mais alto costuma levar ao aumento de preços.

A combinação entre desemprego maior, inflação ainda alta e crescimento fraco tende a colocar a economia no centro do debate político à medida em que a eleição presidencial se aproxima.

Fonte: Folha de São Paulo