Estudo prevê morte de 37 mil jovens até 2016

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18/12/2012

Quase 37 mil adolescentes, com idade entre 12 e 18 anos, serão assassinados até 2016 se nada for feito para barrar a escalada da violência entre jovens. A projeção foi elaborada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) baseada no Índice de Homicídios na Adolescência (IHA). O número equivale à população total de adolescentes de cidades como Jundiaí (SP) ou Pelotas (RS). A maioria das vítimas são do sexo masculino, negros e atingidos por arma de fogo. O estudo é centrado nos 283 municípios brasileiros com mais de cem mil habitantes no ano da pesquisa — 2010. No Distrito Federal, praticamente três a cada mil serão mortos.

Em 2009, quando o índice foi montado, a previsão era de que 32.941 adolescentes morressem de forma violenta em sete anos, mas o aumento da criminalidade fez com que a estimativa fosse acrescida em 14%, conforme dados divulgados ontem pela Unicef. O número inicial era de 2,61 jovens assassinados antes de completar a adolescência para cada grupo de mil. Em 2010, o valor subiu para 2,98. Segundo o estudo, é um aumento inquietante da violência letal contra essa população no Brasil. “Um patamar crítico uma vez que esse valor deveria ser próximo de 0 e certamente inferior a 1”, comenta o levantamento. O único estado do país com índice próximo a 1 é São Paulo.

Durante a revisão dos dados, as regiões brasileiras, com exceção da Sudeste, tiveram a quantidade de homicídios elevada. A situação mais delicada está no Nordeste, onde a média do indicador é mais de uma vez e meia maior que a nacional — alcançando a marca de 4,93, com seis dos nove estados com IHA maior que a média, sendo dois deles os campeões em violência. Alagoas tem o maior índice do país com nove mortos para cada mil adolescentes e a Bahia, quase oito para a mesma proporção. A segunda região mais violenta é a Norte: 3,62 vidas perdidas para cada grupo de mil adolescentes.

Se comparada a causa de morte entre diferentes faixas etárias, os números são ainda mais alarmantes. Enquanto o homicídio é responsável por matar 5,1% da população brasileira, entre os que estão com idade entre 12 e 18 anos, essa é a causa de 45,2% dasmortes. “Em suma, o cenário no Brasil revela um grau de vulnerabilidade para esta fatia da população, que sofre uma alta incidência demortes precoces e violentas”, destaca o relatório.

Impunidade

Mãe de um jovem de 18 anos assassinado em janeiro, Maria de Jesus Meireles, 40 anos, ressalta que o mais doloroso é ver que nada é feito. “A legislação é muito conivente com o criminoso. Não há nada para impedir que o crime ocorra. Dois rapazes assassinaram meu filho por causa de um som de carro e uma jaqueta. Motivo fútil e torpe. Um deles foi preso e pelo menos hoje ele não vai fazer nenhuma mãe sofrer como eu estou sofrendo. O outro, menor de idade, ficou detido 45 dias e pronto. A sensação é de impunidade”, reforça a moradora de Ceilândia.

No comando da Subsecretaria de Proteção às Vítimas de Violência (Pró-Vítima), Valéria Velasco destaca que o sentimento de impunidade potencializa o sofrimento. “Quando a vida de alguém é interrompida por um menor infrator, resulta em uma revolta muito maior. Os parentes querem que o dano seja reparado de alguma forma, mas se frustram com as penas impostas aos jovens que mataram”, diz Valéria, que teve o filho de 16 anos, Marco Antônio, assassinado em 1993.

Em alguns casos, os assistentes do Pró-Vítima trabalham parar tirar dos pais a sede de vingança. “O que tem chegado até nós é uma descrença enorme nas instituições e no poder público e, quando um pai ou uma mãe quer fazer justiça com as próprias mãos, temos de prestar uma assistência psicológica bem mais direcionada. A verdade é que, enquanto três determinantes não forem tratadas de forma séria e em ações conjuntas — cultura da violência, tolerância institucional e impunidade — não vamos sair desse quadro perverso”, observa Velasco.

Fonte: Correio Braziliense



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