Ex-empregados que viram patrõe

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05/08/2013

A abertura do negócio próprio é um dos maiores sonhos dos brasileiros (43,5%), sendo superado apenas pela vontade de viajar pelo Brasil (50,2%) e ter casa própria (48%), segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor 2012 (GEM) — Empreendedorismo no Brasil, realizada pelo Sebrae em parceria com o Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBQP). O mesmo estudo revela ainda que é bem menor o índice de pessoas que têm como desejo seguir carreira na empresa em que trabalham: 24,7%. Desta forma, é crescente o número de trabalhadores que montam negócios no mesmo segmento em que atuavam como empregados.

Por conta do conhecimento adquirido durante vários anos de trabalho na mesma área, são muitos os casos de ex-empregados que viraram patrões e se deram bem. Conhecer a área de atuação é um fator importante para o sucesso do negócio. Para a pessoa abrir um empreendimento, é necessário conhecer o mercado, lidar com os fornecedores e ter informações sobre a concorrência. Então, se o empreendedor já atua na área, isso facilita bastante”, observa o gerente de Educação e Empreendedorismo do Sebrae Minas, Ricardo Luiz Pereira.

Entretanto, não basta somente montar o negócio no ramo em que atuava para ser bem-sucedido. “Conhecer o ramo do negócio é uma necessidade crucial. A questão importante não é simplesmente abrir uma loja ou uma prestadora de serviços, mas sim manter o negócio. Isso depende de uma série de outros itens”, observa Pereira.

Ele lembra que muitos empregados alimentam o sonho de criar sua própria empresa para “não ter mais patrão”. No entanto, salienta, esse pensamento é equivocado. “Quando deixa de ser empregado e monta o seu próprio negócio, em vez de um a pessoa passa a ter vários patrões, que são os clientes. Cada um deles cobra bom atendimento, preços competitivos e qualidade na entrega. Se o empresário não oferecer isso, o cliente vai procurar o concorrente.”

O especialista ainda dá mais dicas: “O empresário tem que cuidar da gestão. Ele precisa da visão de um bom planejamento, saber como contratar pessoas e colocá-las no lugar certo. Tem que buscar a qualidade e a competência. Além disso, necessita de procurar novas informações para fazer o negócio prosperar”, detalha Pereira.

Depois de trabalhar como garçonete e copeira em grandes bufês de Belo Horizonte, Paula de Oliveira conseguiu a qualificação que lhe faltava para montar o próprio negócio, o Vitória de Paula Buffet e Cerimonial, inaugurado há pouco mais de um ano na capital. De cafés corporativos a casamento para 500 pessoas, a empresária já conseguiu trazer para o seu portfólio grandes empresas. Paula percebeu seu talento para organizar festas e eventos quando conseguiu levantar o faturamento de uma padaria em crise. “Comecei a organizar eventos dentro da empresa usando as datas típicas, como o Dia da Avó. A iniciativa deu certo e trouxe de volta os clientes.” Com a experiência na área deu partida à ideia empreendedora. “Antes da formalização, já fazia alguns pequenos trabalhos, mas foi a empresa que trouxe os clientes empresariais, gerando confiança também para os outros consumidores.” INOVAÇÃO Outro que prosperou como empreendedor foi Valmir Batista Santos, de Montes Claros, no Norte de Minas. Ex-pedreiro, ele conta que começou a trabalhar aos 14 anos. Depois de dois anos no ofício em obras civis, arrumou emprego numa indústria local, onde trabalhou durante 12 anos. Fez um curso de auxiliar de mecânica e montou uma empresa de prestação de serviços na área de manutenção mecânica na cidade. “A firma tem 16 anos no mercado e 16 empregados.

Acompanho as tendências do mercado. Estou me reciclando constantemente e procuro inovar para satisfazer os meus clientes”, afirma.

Para Wagner Cardoso de Pádua Filho, professor de marketing e inovação e negociação da Fundação Getulio Vargas (FGV), mesmo tendo conhecimento da área como ex-empregado, o empreendedor tem que fazer como o ex-pedreiro e inovar sempre. “Não basta apenas a pessoa ter um certo conhecimento da área para desenvolver o seu negócio. Como empregado, a pessoa tem que apenas exercer sua função dentro da empresa que o salário no final do mês será pago. Na condição de patrão, ela precisa ter habilidades e conhecer as oportunidades de mercado para conquistar clientes, faturamento e bons lucros.”

Fonte: Estado de Minas



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