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Informe economico

Diretor: José Francisco Jesus Pantoja Pereira

 Gerente de Relações Institucionais: Sheila Tussi da Cunha Barbosa

Analistas de Relações Institucionais: Cláudia Fernanda Silva Almeida

Renan Bonilha Klein

 Assistente Administrativa: Quênia Adriana Camargo

Panorama Econômico

 

A edição do “Panorama Econômico” visa resgatar os principais fatos da economia brasileira decorridos durante o ano de 2014 e as publicações mais relevantes para o cenário econômico.

Crescimento Econômico

Certamente o novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o atual presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, enfrentarão em 2015 dificuldades na atuação de suas atividades. Em primeiro lugar, devido ao baixo crescimento da atividade econômica no ano de 2014, apesar de não oficial, acredita-se que o Produto Interno Bruto brasileiro auferiu crescimento em torno de 0,1 e 0,2 p.p. Crescimento esse já esperado pelos analistas de mercado.

Outra variável a ser controlada pela equipe econômica é a inflação.

O indicador de inflação oficial, IPCA, registrou aumento no nível geral de preços em 6,41%, se situando dentro da meta estabelecida pela autoridade monetária. Porém, notadamente não foi uma tarefa simples para o Governo, pois em alguns meses do ano o acumulado do IPCA superou o teto da inflação. O Presidente do Banco Central atribuiu esse patamar de inflação a ocorrência de dois processos de ajustes de preços, sendo estes: o realinhamento dos preços domésticos em relação aos preços internacionais e o realinhamento dos preços administrados em relação aos preços livres.

E o que falar sobre a segurança? A segurança em questão não é a pública, pois esta já é de conhecimento de toda a população a péssima situação em que se encontra. A segurança no caso é a jurídica. Esta sim, primordial para a entrada de capital estrangeiro no país, essencial para o crescimento econômico e a geração de emprego e renda. A falta de credibilidade que ronda a Administração Pública e a forma como o “jogo” está sendo conduzido, mudando a regra da forma como bem entende e, em alguns casos, se utilizando de práticas ilícitas para beneficiar uns e outros.

O que tudo indica, diante das posições adotadas pelo Governo de aumento da taxa básica de juros, o processo de abertura de capital da Caixa Econômica Federal, cortes nos gastos públicos e alterações na legislação ligada à pensão por morte e seguro desemprego, é que a estratégia para a retomada do crescimento econômico se baseie em medidas ortodoxas.

Mas então, diante de tantos desafios, o que esperar para 2015?

A palavra que provavelmente irá ilustrar o ano de 2015 no Brasil será: Reajustes. Infelizmente necessários em virtude da falta de controle dos recursos orçamentários, sendo estes reflexos do período eleitoral, das desonerações de impostos e dos excessivos gastos dispendidos em obras para sediar eventos esportivos.

Assim como não houve equilíbrio na goleada sofrida pelo país na Copa do Mundo FIFA de 2014 para a Alemanha, o Governo não soube respeitar um dos príncipios orçamentários mais importantes, o do Equilíbrio. No caso, as despesas não se igualaram as receitas, obrigando assim a manobra do Executivo para livrar a Presidente da República de um possível processo de crime de responsabilidade.

Um exemplo claro de como anda o descontrole fiscal é o crescimento de 2,49% da dívida pública em novembro na comparação com outubro. Dados oficiais indicam que a dívida esteja em R$ 2,2 trilhões. O Plano Anual de Financiamento do Tesouro Nacional determinou que a dívida devesse oscilar entre R$ 2,17 trilhões e R$ 2,32 trilhões.

Os analistas de mercado projetam um modesto crescimento para o país de 0,4% em 2015. Para 2016 o cenário esperado é melhor, 1,8%.

Distribuição de Renda

A campanha presidencial do Partido dos Trabalhadores se apoiou basicamente na propaganda dos programas sociais. Programas como: Minha Casa, Minha Vida, FIES, Bolsa Família, Minha Casa Melhor e outros.

Realmente não é possível negar a importância dos programas sociais para milhões de famílias brasileiras. A questão que se levanta é o resultado desses programas. A forma mais correta de avaliar o nível de desigualdade social é por meio de indicadores. Apesar de não demonstrarem com precisão a distribuição da renda, conseguem ilustrar bem esse quadro.

Para a avaliação vamos utilizar a Síntese de Indicadores Sociais (SIS) do IBGE. O estudo revela o maior acesso à educação da população com 25 ou mais. Entre 2004 a 2013, em média, passou de 6,4 para 7,7 anos de estudo. Para os indivíduos com os menores rendimentos, o tempo de estudo passou de 3,7 para 5,4 anos. A observação mais significativa feita pelo estudo é o da proporção de pessoas com ensino superior da faixa etária entre 25 a 34 anos. Essa razão dobrou, passando de 8,1% para 15,2%. O presente resultado aponta a real importância na ampliação do acesso aos diversos níveis de ensino. Porém, o cenário ainda demonstra a baixa qualificação do cidadão brasileiro.

O tempo de estudo continua sendo um dos determinantes para a melhoria nas condições de vida da população. A hora trabalhada, em média, da população ocupada com até 4 anos de estudo era de R$ 7,10, sendo que aqueles com 12 anos ou mais, era de R$ 28,24.

Ainda é revelado que do grupo dos jovens entre 15 e 29 anos, um em cada cinco não frequentava a escola e nem trabalhava. Entre os que não trabalhavam e não estudavam, 45,8% eram residentes da região Norte ou Nordeste. E quase metade (44,8%) desses indivíduos vivia em domicílios do qual a renda mensal domiciliar por pessoa não era superior a meio salário mínimo. Como já citado acima, o tempo de estudo é o condicionante para elevar o nível social dos indivíduos e a “janela de oportunidade”, quando a pessoa está na plena idade produtiva, para esse tipo de atividade está sendo deixado para segundo plano. E com o passar do tempo essa mão de obra irá envelhecer e com isso se fechará essa “janela de oportunidade”.

Para finalizar, a pesquisa destaca o rumo da distribuição de renda no país. As transferências governamentais representam 37,5% do rendimento das famílias com renda mensal de ¼ do salário mínimo por pessoa. Em 2004, a proporção era de 20,3% da renda desse grupo. Para as famílias com rendimento entre ¼ e ½ do salário mínimo per capita a proporção foi de 12,5% da renda total.

O estudo divide o nível de renda da população em dez partes. A parte da população com os 10% menores rendimentos concentravam 1,2% da renda total. Ao mesmo tempo em que aqueles com os maiores rendimentos concentravam 41,7%. Apesar do quadro de diminuição na concentração de renda, não foi suficiente para alterar consideravelmente esta sistuação, pois ainda assim podemos observar que uma única parcela da população concentra mais de 40% da riqueza gerada.

Evolução do Mercado de Trabalho

O ano de 2015 começou com a triste notícia que 800 funcionários da Volkswagen e 160 da Mercedes-Benz foram demitidos no ABC Paulista. E a situação ainda pode piorar, pois segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC existe a possibilidade de ocorrer mais 1.300 demissões na VW, já que a empresa divulgou que possui excedente de 2.100 funcionários.

O Governo justificava que as desonerações da folha de pagamento eram necessárias para manter o nível de empregos no país. Ora, mas se o Governo concedeu essa “colher de chá” aos empresários, qual o motivo para as demissões em massa?

É claro que inúmeras variáveis influenciam no setor, tais como a retração da demanda interna e o difícil cenário do comércio exterior. Entretanto, no mês de maio de 2014 o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que as desonerações eram importantes para as exportações, tornando os produtos nacionais mais competitivos, e que naquela época os setores que foram contemplados com o benefício fiscal empregaram mais do que aqueles que não tiveram. Pelo visto as desonerações de impostos começaram a perder eficácia.

Já é certo que nos primeiros meses de cada ano as demissões apresentem maior força em relação ao resto do ano, contudo o setor vem apresentando queda mês a mês.

À nível nacional o saldo da geração de emprego atingiu 938.043 postos de trabalho no período compreendido entre janeiro e novembro. É o pior resultado desde 2003, quando a série registrou a geração de 860.887 postos de trabalho. E a Indústria de Transformação e a Construção Civil têm peso expressivo nesse quadro. Na série ajustada de 2014 (jan-nov) a Indústria fechou com geração de 7.990 postos de trabalho contra os 122.810 observados em 2013.

Os setores que terminaram o ano melhor do que em 2013 foram a Agricultura, que se recuperou do saldo negativo do ano imediatamente anterior, a Administração Pública e Serviços.

Para o Comércio o resultado foi de 191.533 novos postos de trabalho. Em 2013, esse resultado foi de 325.784.

Política Monetária

O Comitê de Política Monetária (COPOM) elevou a taxa básica de juros – Selic por cinco vezes durante o ano. No começo de 2014, a taxa estava situada em 10% a.a. passando para 11,75% a.a. no início de dezembro. A elevação de 1,75 p.p. se deu como forma de controlar o aumento no nível generalizado de preços. Tendo em vista as declarações contidas na última nota da Assessoria de Imprensa, deixou claro que futuros aumentos na taxa Selic, caso sejam realizados, serão feitos com maior cautela.

O presidente do Banco Central disse que apesar da resistência da inflação no curto prazo, a autoridade monetária fará o que for necessário para atingir a meta de 4,5% em 2016.

 

 Brasília, 15 de janeiro de 2015.

Renan Bonilha Klein

Analista Econômico



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