Sérgio Miranda

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26/11/2012

Sérgio Miranda

A Diretoria da CNTC comunica com pesar o falecimento, ocorrido hoje (26) em Brasília, do Professor e ex-Deputado Federal Sérgio Miranda (PDT-MG), que durante os seus quatro mandatos no Congresso Nacional manteve-se fiel ao seu compromisso democrático e à defesa dos interesses dos trabalhadores brasileiros. Um dos mais respeitados Parlamentares de sua geração, Sérgio Miranda morreu aos 65 anos, completados no último dia 23 de Novembro. Para o Presidente da CNTC, Levi Fernandes Pinto, “Sérgio Miranda deixa um legado de dedicação ao fortalecimento do Sistema Confederativo e à organização sindical e de coerência com o seu ideário de democrata compromissado com o Brasil e com o futuro dos brasileiros, expresso no profissionalismo e na competência no trato com as questões orçamentárias e previdenciárias, das quais foi sempre um relator respeitado e admirado por seus pares. O sistema sindical brasileiro perde hoje um de seus mais destacados entusiastas”.

Nascido em Belém do Pará, Sergio Miranda estudou na Universidade Federal do Ceará, da qual foi expulso da Faculdade de Matemática com base no Decreto 477 do governo militar. Filiado ao PCdoB por 43 anos, desligou-se do partido em 2005 e filiou-se ao PDT. Foi Presidente do partido em Belo Horizonte e Presidente da Fundação Leonel Brizola. Exerceu um mandato como Vereador em Belo Horizonte e quatro mandatos como Deputado Federal (1993 a 2006), quando se destacou como uma das maiores das maiores autoridades em Orçamento Federal e Previdência. Sempre apontado pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) como um dos Parlamentares mais influentes do Congresso Nacional, Sérgio Miranda teve atuação destacada na CPI das Fraudes do INSS, na investigação do assassinato de Auditores Fiscais do Ministério do Trabalho em Minas Gerais e na Relatoria do Orçamento da União.

O corpo de Sérgio Miranda foi velado no Salão Nobre da Câmara dos Deputados de 15h desta segunda-feira (26) até 10h de terça-feira (27). O sepultamento foi no Cemitério Campo da Esperança, em Brasília.

 

Haroldo Lima: As várias facetas de Sérgio Miranda

27/11/2012 8:48, Por Vermelho

Haroldo Lima*

Sérgio foi um excelente deputado. Movimentava-se bem no Parlamento, falava bem, propunha bem, conhecia os meandros da Casa, relacionava-se amigavelmente com seus pares das diferentes tendências políticas, da esquerda à direita, sem nunca deixar de ser de esquerda.

Talvez a característica mais marcante da sua presença no Congresso venha do zelo com que ele aprofundava o assunto que analisava. Sérgio ia fundo nas questões, estudava a pauta com denodo, cercava-se de assessores competentes, na política e na técnica, e punha-se a examinar os detalhes, as conseqüências diretas e indiretas, imediatas e a prazo longo, dos projetos em votação. Quando se inscrevia para discutir uma matéria, impressionava, incorporava densidade ao debate, e com o rosto e os olhos transfigurados pela convicção, defendia seu ponto de vista com ardor e paixão. Este era o Sérgio que as novas gerações conheceram, admiravam e respeitaram no Parlamento, onde esteve, na quase totalidade do seu tempo, na bancada do PCdoB.

Mas não seria justo, neste momento, lembrarmos apenas do deputado Sérgio Miranda. Porque Sérgio vem de mais longe, vem dos tempos sombrios da ditadura em que algumas pessoas se esconderam em outras para ardilosamente não deixar de ir abrindo as veredas da resistência. E antes do deputado Sérgio, o jovem Sérgio, no PC do B, se escondeu no camarada Zecão, ou Zó, que com seu corpo alto se esgueirava, furtivo, mas indômito, para cumprir as tarefas da luta e do Partido.

Pouco depois do início do Araguaia, tratava-se de avançar na organização dos comunistas pelos estados do país. Nas duras condições da clandestinidade, articulamos e pusemos em ação uma Comissão de Organização, dirigida pelo velho camarada Mário, o Pedro Pomar. E com o Mário, lá estavam o Zecão e o Zé Antonio, Sérgio Miranda e eu.

Fazer uma reunião de balanço, para traçar planos e controlar as tarefas naquela situação, não era fácil. Tínhamos que usar casas de absoluta confiança. E a Comissão de Organização passou a se reunir na residência de um casal de camaradas, o Zecão e a Cristina.

Para algumas reuniões do núcleo central político, onde estariam o Monteiro e o Mário, que eram o João Amazonas e o Pedro Pomar, quem ia pegar o Zecão era eu. Recordo-me de certa feita, em que o rígido esquema montado previa o Zecão começar a descer a Teodoro Sampaio, em São Paulo, exatamente às 20 horas. Ele tinha que andar de um lado determinado e ir até a um ponto distante. De longe, e do outro lado, eu observava se tudo estava tranqüilo em torno do camarada, se ninguém o seguia, se ele não estava nervoso, para só então abordá-lo. E tudo parecia bem, só que o Zecão puxava de uma perna. Matutei se aquilo não seria um sinal para eu não me aproximar. Demorei. Até verificar que tudo estava de fato bem e que o Zecão estava mesmo com a perna doente.

A morte do Sérgio é uma perda para os combatentes do Brasil. Todos nós, comunistas ou não, sentiremos sua falta. E honraremos sua memória.

* Haroldo Lima é membro do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)

Sérgio: a voz forte das minorias

Mauro Werkema *

Amigos:

Lamento profundamente a morte de Sérgio Miranda. Convivi com ele durante muitos anos, em vários episódios. E muitas discussões. Deixa, de forma unânime, entre os inúmeros amigos e conhecidos, a reputação de pessoa de caráter, séria, absolutamente honesta, fiel e obstinada nos seus princípios, aplicada nas tarefas. Transparente, lúcido, manifestava, em todas as suas reflexões, seu indesviável sentimento de solidariedade para com os injustiçados deste mundo, os mais pobres, os alijados pela injusta ordem política e econômica que impera entre nós.

Parlamentar respeitado, deixa entre todos os seus pares, mesmo entre os mais conservadores e adversários, a reputação de dedicação e seriedade no trato das questões políticas e técnicas, com especial destaque para sua atuação na área de fiscalização financeira e elaboração orçamentária da União, matérias em que se tornou um especialista. Entre os jornalistas deixou também excelente reconhecimento, obtendo durante todos os anos em que esteve no Congresso Nacional a colocação nas listas dos dez mais atuantes deputados.

Infelizmente, não se reelegeu, decorrência de uma mudança partidária, do PC do B para o PDT. Mas Sérgio continuou presente nos debates e discussões, tornando-se figura imprescindível nas reuniões que tratavam da mobilização popular, das causas da justiça social, dos movimentos populares e democráticos, da resistência contra a opressão ou usurpação das vozes das minorias. Minas, que o adotou há 40 anos, fugindo da repressão política, perde um cidadão exemplar e um político que honrava o Estado. Referência ética, respeitado por sua consistência ideológica e política, transparente nas suas ações e posições, consistente nas suas análises, Sérgio enriquecia qualquer discussão. Sua morte, infelizmente, torna ainda mais pobre a discussão política mineira.

* Mauro Werkema é Jornalista, Presidente da Belotur, Ex-Diretor de Redação do Estado de Minas e ex-Presidente da Fundação Clóvis Salgado.



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